Histórias Positivas - Claudiano

Histórias Positivas - Claudiano


'Olá, me chamo Claudiano Nunes, tenho 28 anos e fui diagnosticado com HIV no mês de junho de 2017, logo depois de uma crise de gonorreia que tive por um período de 2 meses.
Eu sempre levo na mente, que Deus só manda o fardo conforme a nossa força. Eu sempre fui “namorador”, mas “namorador” de ter relacionamentos sérios, sempre tive parceiros fixos, mesmo que por curtos períodos. Com todos eles não nego ter me relacionado sem proteção, na minha mente, eu só adquiriria alguma doença fora de relacionamentos.
No mês de janeiro de 2017, eu tive um caso aparte de transa pós festa, conheci um menino no Reveillon na cidade aonde moro (Juazeiro do Norte-CE), ficamos na festa e logo depois que a festa terminou fomos para minha casa, aonde transamos e dois ou três dias após, começou a sair uma secreção meio amarelada do meu órgão genital e juntos vinham muitas dores ao urinar. Logo em seguida fui ao médico onde o mesmo me passou alguns remédios e depois de uma semana tomando veio a 'cura'
Meses depois eu conheci um rapaz que por sua vez veio ser o meu namorado, chegamos ainda a ter duas ou três relações sem proteção, que em seguida eu vim a ter novamente a mesma crise de gonorreia, mas que por sua vez eu me auto mediquei, fui ao médico na UPA da minha cidade, tentei consulta no postinho de saúde do meu bairro, onde todas as tentativas foram frustradas, não tive melhora em nenhum dos casos.
Esse tempo todo de tentativas com remédios, consultas e tratamentos foram em média uns 2 meses de muita luta. Meu namorado já estava ficando muito preocupado comigo, foi onde tivemos que ir ao médico particular, lugar que eu não queria ir, por falta de dinheiro e devido ao alto valor da consulta, mesmo assim fizemos um esforço e fomos.
O médico muito educado me examinou com muita atenção, solicitou alguns exames, dentre eles o de HIV. Quando eu fui receber o exame, fui sozinho, meu namorado ainda fez questão de ir comigo, mas eu queria estar sozinho naquele momento, quando eu fosse abrir os exames.
Peguei o exame, vim para casa e sentado no sofá abri ele que por sua vez tinha dado o temido REAGENTE, por alguns minutos eu fiquei sem reação, olhava aquele resultado e não conseguia acreditar, ainda pensei em sair gritando, chorando, achando que ia morrer, mas ao mesmo tempo, Deus falava ao meu coração que aquilo não era o fim, que ele iria estar comigo, que jamais mandaria aquele fardo sem ter a certeza que eu era e sou capaz de suportar.
Umas das primeiras pessoas que veio ao meu pensamento naquele exato momento foi o meu pai, como contar a ele, qual seria a reação dele... no mesmo dia contei ao meu namorado e dias depois contei aos meus familiares, onde eu tive total apoio de todos.
Quando eu contei a eles, eu pensava que iria chorar ou coisa pior, mas não, todos olharam para mim e disseram que tudo ia ficar bem, que tudo iria ocorrer da forma que Deus queria. Depois de ter feito 5 exames de HIV, por que eu pensava que, já que tinha feito duas coletas no mesmo laboratório, eles poderiam ter errado naquele resultado, mas infelizmente não era o que eu pensava, todos deram REAGENTE.
Então Deus resolveu me levar ao hospital da minha cidade, para a princípio só ter uma informação de como se dava os procedimentos para o tratamento, mas como as coisas só acontecem da forma que Deus quer, quando cheguei no hospital, a moça da recepção foi um amor de pessoa, logo perguntou se eu estava com o encaminhamento e tratando-me como se eu fosse um familiar dela, me deixando muito confortável por estar ali, mesmo que fosse a minha primeira vez.
Esperei por atendimento por um período suficiente para pensar na vida, para dar graças a Deus por estar comigo todo instante. Quando entrei na sala, com muito medo e vergonha, mas firme e querendo me tratar, o médico me deixou muito à vontade, perguntou se eu sabia a diferença sobre HIV e AIDS, como eu estava psicologicamente e falou que a partir daquele momento ele seria o meu médico, que eu teria que por obrigação ir vê-lo duas vezes por ano.
Foi preciso fazer vários exames, mas foram muitos mesmo, acho que fiz na média uns 20 exames por ai, e ainda falta fazer mais (risos), nesse período de realizações de exames e espera para realizar outros, decidi falar para um grande amigo que tenho como irmão, ele ficou muito preocupado comigo (que é normal), me obrigou a ir para a capital (Fortaleza-CE) para tentar acelerar o tratamento, fez o que estava ao alcance dele, só faltou mover os céus para tudo dar certo, mas infelizmente lá não deu certo, eu tinha que reiniciar o tratamento lá fora, onde ainda vi a porta fechar por uma instituição, a qual eles alegaram que só tratavam pessoas com a doença já em estado crítico que não era o meu caso, naquele instante eu queria chorar.
Você ouvir de uma profissional de saúde, que você não tem o perfil do hospital para ser atendido, quando se tem uma doença incurável dentro de si, não é fácil. Depois de uma tentativa frustrante, mas fortalecedora eu voltei para minha cidade, aonde dei continuidade ao tratamento que já estava no caminho, passei mais de dois meses indo toda semana no LACEN da minha cidade para receber meus exames e toda semana eu recebia um exame por vez até que depois de esperar por 70 dias mais ou menos, eu fui receber o exame que eu mais precisava, que era o CD4 e o de HIV.
No mesmo dia que recebi fui ao encontro do meu médico infecto e esperei para ser atendido, assim que ele abriu o exame, deu um sorriso e disse que só tinha notícias boas para mim, que minha carga viral estava baixa e que minha defesa do organismo ainda estava alta, que era como se eu tivesse sido infectado em um dia e no outro já descoberto. Ali mesmo ele passou os remédios que hoje tomo e já tenho um retorno daqui a 6 meses.
Hoje sou soropositivo assumido para os meus familiares, amigos e nas redes sociais também. Hoje digo que a sorologia é só uma condição para você passar a se cuidar mais. Quem é soropositivo muda sim de vida, mas muda para melhor.'

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