Histórias Positivas - Diego

Histórias Positivas - Diego


Olá, me chamo Diego e fui diagnosticado com HIV no fim do ano passado (2016), pois é, que coisa... Logo eu que tanto me cuidava. Esse é o tipo de pensamento que ficava em minha mente logo no início do diagnóstico!
Eu havia tido alguns relacionamentos amorosos frustrados no decorrer do ano, relacionamentos que não haviam dado certo, e decorrente deles acabei por contrair o HIV, não gosto de levar isso em consideração, pois acredito que tentar achar um culpado não é a solução, tão pouco a forma correta de encontrar a vida novamente.
Um dia, enquanto ia realizar exames de rotina, acabei por fazer também o teste rápido em uma unidade de saúde, e lá enfim foi onde tudo começou...
Realizei o teste e por algum tempo me mantiveram lá. A gente percebe a fisionomia dos profissionais de saúde quando algo sai do protocolo e o que não se é esperado acontece.
A enfermeira que me atendia, ficou bem nervosa e se retirou da sala, naquele momento já percebi que algo estava pra acontecer. Em alguns minutos ela voltou acompanhada de uma médica, que com um fisionomia bem triste veio me perguntar se eu estava bem, se não havia me sentido mal nos últimos meses e o que me motivava a ir realizar o teste.
Após responder todas as perguntas ela me olhou e disse que infelizmente o teste de HIV havia dado reagente, e que eu teria que procurar uma unidade que prestasse serviço a pessoas portadoras do vírus.
Hoje eu percebo como a criação que eu recebi da minha foi fundamental, apesar da situação eu não me senti apavorado nem tão pouco com medo. Recebi aquela notícia de uma forma um tanto tranqüila eu diria, pensei que talvez a minha ficha não fosse cair tão cedo, bom se é isso mesmo então, acho que ela não caiu até agora...
No mesmo instante a médica perguntou se eu não gostaria de ligar para alguém da minha família para contar e não ter de sair dali com essa “bomba”, sozinho... No mesmo instante disse que sim, e liguei para minha mãe.\nContei a ela, ela ficou um pouco nervosa, algo que eu acho normal, qual mãe não ficaria?
Assim ela foi até a unidade de saúde e conversamos com a médica e de uma forma serena tanto minha quanto da minha mãe, chegamos à conclusão que o que devia ser feito era manter a calma, e iniciar o tratamento e acompanhamento médico.
Sempre aprendi que a vida a cada dia nos dá várias oportunidades de provar ao mundo o como somos capazes de melhorarmos como seres humanos. Não nego que é um forte impacto. \nA primeira coisa que veio a minha mente foi que iria ficar sozinho, que ninguém iria querer se relacionar comigo a partir daquele momento.
Diferente de uma grande maioria que pensa que vai morrer, e que sua vida acabou eu não pensei isso, apenas temi a solidão, costumo dizer que o HIV hoje se tornou uma doença que acarreta em muito mais danos psicológicos do que físicos.
A sociedade tem preconceitos que são frutos de falta de conhecimento sobre o assunto, eu mesmo carecia de informação, hoje percebo o quanto a causa precisa de apoio mesmo das pessoas que não são portadoras do vírus, e eu soubesse como é toda essa situação, não teria esperado acontecer comigo para lutar pela causa.
Sai de lá, e fui a um SAE (Serviço de Assistência Especializada). Lá obtive todas as informações que precisa de como proceder com o tratamento e demais coisas que teria de fazer. Eu particularmente acredito que reagi muito bem a tudo isso.
Depois que comecei a militar contra o preconceito aos soropositivos comecei a presenciar histórias de pessoas que não conseguiam mais ver a felicidade na vida depois do diagnóstico.
E percebi que tudo isso se dava unicamente pelo medo que ficamos de ser excluídos, de ser rejeitados ou de sermos alvo do preconceito.
Quando isso tudo aconteceu, quando naquela sala da unidade médica eu recebi a notícia do resultado do teste rápido, eu me perguntei: - O que preciso para ser feliz mesmo sendo soropositivo?
A resposta foi instantânea... - Preciso me aceitar e só assim, os outros me aceitaram também!!
A partir deste momento eu já sabia o que faria, no primeiro dia já contei a todos os meus familiares, nos próximas semanas que se passaram todos os meus colegas da universidade já sabiam, dentro de um mês todo meu núcleo de convívio sabia da minha sorologia.
Depois disso tudo ainda faltava algo, que veio com uns dois ou três meses de diagnóstico que foi começar a lutar pelas pessoas que não conseguiam se aceitar...
Foi então que comecei a assumir publicamente em redes sociais a minha sorologia, a contar histórias de vida e começar a mostrar pra sociedade o que ela não conhecia como trazer informações para acabar com ignorância que rodeava o assunto, “HIV”.
De forma que não fosse necessário “pisar em ovos” quando se trata do assunto, pois é algo que não deve ser tratado como tabu... É simples!
A fim de quebrar tabus então, eu comecei a lutar contra o preconceito. Iniciei um trabalho de auxílio às pessoas que não conseguiam lidar bem com toda a situação que o HIV trás pras nossas vidas. Nós enfrentaremos menos problemas se a sociedade nos acolhesse ao invés de julgar e excluir essa massa... Hoje, digo que julguei mal as pessoas que me rodeavam, quando assumi publicamente a sorologia e achei que muitas pessoas que me rodeavam iriam se afastar... Entretanto todas se mostraram ainda mais próxima me dando todo o apoio que eu precisava. \nNão estou dizendo que todos devem assumir sua sorologia publicamente, mas o que lhes trago é uma verdade... Devemos tornar nosso fardo mais leve. E isso só acontece quando nós nos aceitamos... E essa foi à forma que eu encontrei para me aceitar...
Sei que infelizmente essa não é a situação de centenas de pessoas que também são soropositivas. Muitas não têm nem mesmo o apoio familiar. Mas fiz o que fiz, pois queria ser esse apoio. Quero ser o apoio aos que não tem um, assim como muitos foram o apoio pra mim, o apoio que me dá forças para seguir em frente sorrindo sempre...Hoje posso dizer que sou feliz, me aceitei, luto contra isso todos os dias, mas não fico me preocupando sem necessidade, eu vivo o meu presente intensamente como qualquer pessoa e proveito a minha vida da melhor forma que posso. Não estou dizendo que temos que viver o hoje e se esquecer do amanhã, não! Mas digo que não podemos perder tempo nos preocupando com coisas que talvez aconteçam, e deixarmos de viver intensamente o hoje, temos de valorizá-lo afinal é o nosso presente, vivendo um dia de cada vez... A vida é melhor assim, a vida se tornou mais leve. Eu estudo trabalho e tenho uma vida normal. Relaciono-me com pessoas e tenho amigos, saio, brinco me divirto e nada mudou... Deixo aqui as minhas palavras de apoio a todos que estão nesta mesma situação, digo que não estão sozinhos. Estamos todos juntos... Que o HIV é algo muito pequeno para se deixar de viver, pois a vida é maior que isso... E que a alegria de todos nós possa ser uma só ;)

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