O que é HIV? Um guia completo para entender o vírus desde o começo

Para compreender o HIV, não é necessário conhecer palavras difíceis da medicina. Podemos começar pelo mais simples:

HIV é um vírus que entra no organismo e ataca principalmente as células responsáveis por organizar as nossas defesas.

A sigla HIV vem do inglês Human Immunodeficiency Virus. Em português, significa Vírus da Imunodeficiência Humana.

Vamos entender cada parte desse nome:

Vírus é um agente muito pequeno que precisa entrar em uma célula para conseguir se reproduzir.

Imunodeficiência significa que o sistema de defesa do organismo está enfraquecido.

Humana indica que estamos falando do vírus que circula entre seres humanos.

Portanto, HIV é o nome do vírus capaz de enfraquecer o sistema imunológico humano quando a infecção não é tratada.

Primeiro precisamos entender o sistema imunológico

O nosso corpo possui um sistema de defesa chamado sistema imunológico.

Ele é formado por células, órgãos e diferentes mecanismos que trabalham juntos para reconhecer e combater vírus, bactérias, fungos, parasitas e outras ameaças.

Podemos imaginar o sistema imunológico como uma grande equipe de segurança.

Nessa equipe, existem células que atacam diretamente os invasores, células que produzem anticorpos e células que ajudam a organizar toda a resposta de defesa.

Entre essas células estão os linfócitos T CD4+, também chamados apenas de células CD4.

As células CD4 funcionam como coordenadoras da defesa. Elas ajudam outras células do sistema imunológico a entender quando existe uma ameaça e como o organismo deve reagir.

O HIV ataca principalmente essas células. Por isso, sem tratamento, ele pode prejudicar a capacidade do corpo de se defender contra algumas infecções e determinados tipos de câncer. (Organização Mundial da Saúde)

O que o HIV faz quando entra no organismo?

O HIV não consegue se reproduzir sozinho. Ele precisa entrar em uma célula humana e usar a estrutura dessa célula para produzir novas cópias de si mesmo.

Esse processo acontece em algumas etapas.

1. O HIV encontra uma célula CD4

Na parte externa do HIV existem proteínas que funcionam como chaves.

Essas proteínas conseguem se ligar a estruturas presentes na superfície de algumas células, principalmente nos linfócitos T CD4+.

É como se o vírus encontrasse uma porta compatível com a sua chave.

2. O vírus entra na célula

Depois de se ligar à célula, o HIV consegue entrar nela e liberar seu material genético.

O material genético do HIV é formado por RNA.

3. O HIV transforma seu RNA em DNA

O HIV pertence a um grupo chamado retrovírus.

Os retrovírus possuem uma enzima chamada transcriptase reversa. Essa enzima transforma o RNA viral em DNA.

Podemos imaginar que o vírus traduz suas instruções para uma linguagem que a célula humana consiga utilizar.

4. O DNA do vírus entra no DNA da célula

Outra enzima do HIV, chamada integrase, ajuda a colocar o DNA do vírus dentro do DNA da célula humana.

A partir desse momento, a célula infectada pode carregar as instruções do HIV.

Essa capacidade de integrar seu material genético às células é uma das razões pelas quais o HIV permanece no organismo.

5. A célula começa a produzir novos vírus

O HIV usa a própria estrutura da célula para produzir suas proteínas e seu material genético.

Depois, essas partes são reunidas, formando novas partículas virais.

6. Novas cópias saem da célula

Os novos vírus saem e procuram outras células para infectar.

Ao longo do tempo, sem tratamento, esse processo pode diminuir a quantidade de células CD4 e prejudicar as defesas do organismo.

O que é carga viral?

A carga viral é a quantidade de HIV presente em determinada quantidade de sangue.

Quando o vírus está se reproduzindo rapidamente, a carga viral pode ficar elevada.

Quando a pessoa inicia o tratamento e toma corretamente os medicamentos, a reprodução do HIV é interrompida em diferentes etapas. Com isso, a carga viral começa a cair.

Em muitos casos, ela chega a um nível tão baixo que os exames comuns não conseguem mais quantificá-la. Nesse momento, dizemos que a pessoa está com a carga viral indetectável.

Indetectável não significa que o HIV desapareceu do organismo. Significa que o tratamento está controlando a reprodução do vírus.

Uma pessoa que mantém a carga viral indetectável com o tratamento protege a própria saúde e não transmite o HIV por relações sexuais.

É o princípio:

Indetectável = Intransmissível

Ou, de forma ainda mais direta:

Indetectável = zero transmissão sexual.

HIV e aids são a mesma coisa?

Não.

Essa é uma das informações mais importantes para quem está começando a aprender sobre o assunto.

HIV é o vírus.

Aids é o estágio mais avançado da infecção pelo HIV quando ela não foi diagnosticada ou tratada adequadamente.

A palavra aids vem da expressão inglesa Acquired Immunodeficiency Syndrome. Em português, significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

Vamos separar esse nome:

Síndrome é um conjunto de sinais, alterações e problemas de saúde.

Imunodeficiência significa enfraquecimento das defesas do organismo.

Adquirida significa que não é uma característica com a qual a pessoa nasceu. Ela apareceu durante a vida.

Uma pessoa pode viver com HIV durante muitos anos sem desenvolver aids. Atualmente, com diagnóstico, acompanhamento e tratamento, a progressão para a aids pode ser evitada. (Serviços e Informações do Brasil)

Por isso, não é correto usar HIV e aids como se fossem sinônimos.

Também não é correto afirmar automaticamente que toda pessoa vivendo com HIV “tem aids”.

Como o HIV é transmitido?

Para existir transmissão, é necessário que determinada quantidade do vírus presente em alguns fluidos corporais encontre uma porta de entrada no organismo de outra pessoa.

Os principais fluidos capazes de transmitir o HIV são:

  • sangue;
  • sêmen;
  • fluidos vaginais;
  • fluidos retais;
  • leite humano.

As formas mais comuns de transmissão são:

  • relações sexuais anais ou vaginais sem uma estratégia adequada de prevenção;
  • compartilhamento de agulhas, seringas ou outros materiais que tenham contato com sangue;
  • transmissão durante a gestação, o parto ou a amamentação quando não são adotadas as medidas de prevenção;
  • acidentes com materiais perfurocortantes contaminados;
  • transfusões com sangue contaminado, situação atualmente muito rara em locais onde o sangue doado é corretamente testado.

O HIV não atravessa a pele saudável. Para ocorrer transmissão, o vírus precisa chegar à corrente sanguínea ou entrar em contato com determinadas mucosas e tecidos vulneráveis. (CDC)

Como o HIV não é transmitido?

O HIV não é transmitido por:

  • abraço;
  • beijo comum;
  • aperto de mão;
  • carinho;
  • suor;
  • lágrimas;
  • saliva em situações cotidianas;
  • compartilhamento de copos, pratos ou talheres;
  • vaso sanitário;
  • piscina;
  • toalhas;
  • roupas;
  • picada de mosquito;
  • convívio em casa;
  • convivência no trabalho;
  • usar o mesmo transporte;
  • dormir no mesmo quarto;
  • amizade;
  • cuidado;
  • afeto.

Uma pessoa vivendo com HIV pode estudar, trabalhar, cozinhar, praticar esportes, frequentar espaços públicos, constituir família e conviver normalmente com outras pessoas.

O HIV não é transmitido pela convivência. O preconceito, muitas vezes, é transmitido pela falta de informação.

De onde veio o HIV?

A origem do HIV é uma das partes mais cercadas por mitos.

É comum ouvir a frase: “O HIV veio dos macacos”.

Essa frase é incompleta e precisa ser explicada com cuidado.

Os seres humanos não receberam exatamente o HIV pronto de um macaco. O que existia em algumas espécies de primatas africanos eram vírus semelhantes, chamados vírus da imunodeficiência símia, conhecidos pela sigla SIV.

A palavra “símia” significa relacionada a primatas não humanos.

Em diferentes momentos, algumas versões desses vírus atravessaram a barreira entre espécies. Isso significa que um vírus que circulava em determinado animal conseguiu infectar um ser humano e, depois de adaptações, passou a circular entre pessoas.

Esse tipo de passagem de um agente infeccioso de animais para seres humanos é chamado de salto entre espécies ou transmissão zoonótica.

Isso não aconteceu apenas uma vez. As evidências genéticas indicam que ocorreram diferentes passagens de vírus de primatas para seres humanos.

HIV-1 e HIV-2

Existem dois tipos principais de HIV:

HIV-1, responsável pela maior parte das infecções no mundo.

HIV-2, encontrado principalmente em países da África Ocidental, embora também possa aparecer em outras regiões.

O HIV-1 está relacionado a vírus encontrados principalmente em chimpanzés e, em alguns grupos, em gorilas.

O HIV-2 está relacionado a um vírus encontrado no mangabeu-fuliginoso, um tipo de primata da África Ocidental.

Dentro do HIV-1 existem diferentes grupos. O chamado grupo M é responsável pela pandemia mundial. A letra M vem de major, ou principal.

Também existem os grupos N, O e P, que resultaram de outras passagens entre espécies, mas tiveram uma circulação muito mais limitada.

Como o vírus pode ter passado para seres humanos?

A explicação mais aceita não envolve relações sexuais entre seres humanos e animais.

A hipótese científica mais provável é o contato com sangue de animais infectados durante atividades de caça, abate, corte ou preparação da carne.

Imagine uma pessoa com um pequeno ferimento na mão manipulando um animal infectado. O sangue desse animal poderia entrar em contato com o ferimento.

Na maioria das vezes, um vírus de outra espécie não consegue se adaptar ao corpo humano. Porém, em situações raras, ele pode adquirir capacidade de se reproduzir e ser transmitido entre pessoas.

Ao longo do tempo, o vírus ancestral foi se adaptando ao organismo humano. Depois de muitas transmissões e mudanças genéticas, surgiram as linhagens que hoje conhecemos como HIV.

Portanto, não existe evidência científica de que o HIV tenha surgido porque uma pessoa manteve relações sexuais com um macaco.

Essa ideia é um mito.

Também é importante lembrar que chimpanzés não são macacos. Eles pertencem ao grupo dos grandes primatas, assim como gorilas, orangotangos e seres humanos.

Quando o HIV passou para os seres humanos?

Não existe uma fotografia ou um documento mostrando o primeiro ser humano infectado.

Os cientistas fazem essa reconstrução comparando o material genético de diferentes amostras do vírus.

Quanto mais diferentes são duas amostras, mais tempo provavelmente se passou desde que elas compartilharam um ancestral comum.

Essas análises indicam que a principal linhagem do HIV-1 provavelmente começou a circular entre seres humanos nas primeiras décadas do século XX.

Estudos apontam que o ancestral do grupo M já poderia estar presente por volta da década de 1920, na região da África Central.

É importante separar duas informações:

A década de 1920 é uma estimativa sobre quando o ancestral da pandemia começou a circular.

O ano de 1959 corresponde à amostra humana mais antiga de HIV-1 confirmada até hoje.

O que aconteceu em 1959?

Em 1959, uma amostra de sangue foi coletada de um homem em Léopoldville, cidade que atualmente se chama Kinshasa, capital da República Democrática do Congo.

Na época, ninguém sabia que o HIV existia.

O sangue havia sido coletado para outras finalidades e parte da amostra foi armazenada.

Décadas depois, com o desenvolvimento de novas tecnologias, pesquisadores analisaram aquele material e encontraram evidências do HIV-1.

A amostra ficou conhecida como ZR59.

Ela é considerada a amostra humana de HIV-1 mais antiga confirmada pela ciência. Em 1998, pesquisadores conseguiram estudar partes do material genético viral presente nessa amostra. (PubMed)

Mas atenção:

O homem de 1959 não foi necessariamente a primeira pessoa vivendo com HIV.

Ele é apenas a pessoa da amostra mais antiga que foi preservada, encontrada e confirmada.

Quando os cientistas compararam o vírus de 1959 com outra amostra de 1960, também coletada em Kinshasa, perceberam que os vírus já apresentavam diferenças genéticas importantes.

Isso demonstrou que, por volta de 1960, o HIV já circulava havia bastante tempo e já havia se diversificado em diferentes linhagens. (PubMed Central (PMC))

Em outras palavras, o HIV não começou em 1959. Naquele ano, ele apenas deixou uma das provas mais antigas que a ciência conseguiu encontrar.

Por que Kinshasa foi tão importante nessa história?

Kinshasa, anteriormente chamada de Léopoldville, cresceu rapidamente durante o período colonial.

A cidade passou a concentrar população, comércio, trabalho e rotas de transporte.

Ferrovias e vias fluviais conectavam a região a outras cidades. Pessoas viajavam por longas distâncias, e um vírus que antes poderia estar restrito a uma pequena comunidade passou a encontrar redes maiores de circulação.

A expansão urbana, as desigualdades coloniais, a mobilidade populacional, as relações comerciais, as condições precárias de saúde e possivelmente o uso de materiais médicos sem esterilização adequada podem ter contribuído para a disseminação inicial.

Isso não significa que apenas um único fator provocou a pandemia.

Provavelmente aconteceu uma combinação:

  • o vírus atravessou a barreira entre espécies;
  • conseguiu se adaptar ao organismo humano;
  • começou a ser transmitido entre pessoas;
  • chegou a regiões urbanas;
  • encontrou redes de transporte;
  • circulou silenciosamente por décadas;
  • alcançou outros países e continentes.

Pesquisas genéticas apontam Kinshasa como um dos principais centros da expansão inicial do HIV-1 do grupo M. O crescimento da cidade e as redes de transporte tiveram papel importante na disseminação do vírus pela África Central a partir de meados do século XX. (PubMed Central (PMC))

O HIV já existia antes de a aids ser reconhecida

Durante décadas, o HIV circulou sem que médicos e cientistas soubessem exatamente o que estava acontecendo.

Algumas pessoas provavelmente adoeciam ou morriam por infecções oportunistas, mas seus casos eram registrados com outros diagnósticos.

Não existiam testes para HIV.

Não existia conhecimento sobre carga viral.

Não existiam medicamentos antirretrovirais.

Também não existia um sistema internacional preparado para reconhecer aquele novo padrão de infecção.

Somente no início da década de 1980 o mundo começou a perceber que alguma coisa diferente estava acontecendo.

1981: os primeiros casos reconhecidos de aids

No dia 5 de junho de 1981, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o CDC, publicou um relatório sobre cinco homens jovens de Los Angeles.

Eles apresentavam uma pneumonia rara, causada pelo microrganismo que atualmente é chamado Pneumocystis jirovecii.

Essa pneumonia costumava aparecer principalmente em pessoas com o sistema imunológico muito enfraquecido.

Os cinco homens eram descritos como anteriormente saudáveis. Dois já haviam morrido quando o relatório foi publicado.

Pouco depois, médicos também começaram a registrar casos incomuns de sarcoma de Kaposi, determinados tipos de pneumonia e outras infecções graves em diferentes grupos de pessoas.

A publicação de 5 de junho de 1981 é considerada o primeiro alerta científico oficial sobre aquilo que posteriormente seria chamado de aids. (CDC)

Mas a infecção não começou em 1981.

O que começou naquele momento foi o reconhecimento médico de uma epidemia que já estava em andamento.

O impacto do preconceito nos primeiros anos

Como vários dos primeiros casos reconhecidos nos Estados Unidos ocorreram entre homens gays, a infecção foi associada de maneira equivocada à homossexualidade.

Antes mesmo de compreenderem o agente responsável, algumas pessoas chegaram a utilizar nomes preconceituosos para descrever o que estava acontecendo.

Essa associação atrasou respostas de saúde pública, aumentou o estigma e ajudou a criar uma ideia falsa de que o HIV estaria limitado a determinados grupos.

Com o tempo, casos foram identificados entre mulheres, crianças, pessoas que receberam transfusões de sangue, pessoas que utilizavam drogas injetáveis, homens heterossexuais e diferentes populações.

Ficou evidente que o HIV não estava relacionado à orientação sexual de uma pessoa.

O vírus está relacionado a determinadas formas de transmissão, não a identidades.

Não existem “grupos que transmitem HIV”. Existem contextos, exposições, vulnerabilidades, desigualdades e possibilidades de prevenção.

1982: surge o nome aids

Em 1982, o termo aids começou a ser utilizado para identificar o conjunto de manifestações relacionadas ao enfraquecimento grave do sistema imunológico.

A criação do nome foi importante porque ajudou a organizar os casos e a pesquisa.

Porém, naquele momento, os cientistas ainda não tinham identificado o vírus responsável.

1983: o vírus começa a ser identificado

Em 1983, uma equipe do Instituto Pasteur, na França, liderada por Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier, isolou um retrovírus em uma amostra de um paciente com alterações nos gânglios linfáticos.

Inicialmente, o vírus recebeu o nome de LAV.

Nos Estados Unidos, pesquisadores também estudaram o agente e utilizaram outro nome, HTLV-III.

Depois de debates científicos, ficou comprovado que as equipes estavam estudando o mesmo vírus.

Em 1986, adotou-se internacionalmente o nome Human Immunodeficiency Virus, o HIV.

Em 2008, Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier receberam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina pela descoberta do vírus.

Como o HIV se espalhou pelo mundo?

Depois de circular na África Central, o HIV alcançou outros países por meio das rotas de viagem, migração e transporte.

Ao longo do século XX, ele chegou ao Caribe, às Américas, à Europa e a outras regiões.

O vírus circulou silenciosamente porque uma pessoa pode viver anos sem apresentar sintomas específicos.

Durante esse período, não existiam testes, campanhas de prevenção ou tratamento.

Além disso, guerras, desigualdade social, racismo, colonialismo, migrações forçadas, pobreza, falta de acesso à saúde e preconceito contribuíram para que a resposta ao HIV fosse lenta e desigual.

A pandemia não pode ser explicada apenas pelas características do vírus.

Ela também precisa ser entendida a partir das estruturas sociais e políticas que permitiram que algumas populações fossem mais expostas, menos protegidas e menos atendidas.

O que acontece depois que uma pessoa entra em contato com o HIV?

Quando o HIV entra no organismo, ele começa a se reproduzir.

Nas primeiras semanas, algumas pessoas podem apresentar sintomas parecidos com os de uma gripe forte:

  • febre;
  • dor de garganta;
  • cansaço;
  • manchas na pele;
  • dor de cabeça;
  • aumento dos gânglios;
  • dores no corpo.

Essa fase é chamada de infecção aguda pelo HIV.

Entretanto, muitas pessoas não sentem nada ou apresentam sintomas muito leves.

Depois dessa fase, a pessoa pode passar anos sem perceber nenhuma alteração. O HIV continua presente, mas pode agir de maneira silenciosa.

Por isso, não é possível saber se uma pessoa vive com HIV apenas observando sua aparência ou esperando o surgimento de sintomas.

A única maneira de saber é fazendo o teste. (Organização Mundial da Saúde)

Como funciona o teste de HIV?

Existem diferentes tipos de testes.

Alguns procuram os anticorpos que o organismo produz contra o HIV.

Outros procuram uma combinação de anticorpos e uma parte do vírus chamada antígeno p24.

Também existem exames que procuram diretamente o material genético do HIV.

O corpo precisa de algum tempo para produzir uma quantidade detectável de anticorpos ou antígenos. Esse período é chamado de janela imunológica.

Por isso, o momento adequado do teste depende do tipo de exame e da data da possível exposição.

Um resultado reagente em um teste inicial precisa seguir o protocolo de confirmação indicado pelo serviço de saúde.

Receber um diagnóstico de HIV não significa que a pessoa esteja com aids ou que sua vida esteja terminando.

Significa que existe uma infecção que precisa ser acompanhada e tratada.

Existe tratamento para o HIV?

Sim.

O tratamento é chamado de terapia antirretroviral, também conhecida pela sigla TARV.

Os medicamentos atuam em diferentes etapas do ciclo de reprodução do HIV.

Alguns impedem que o vírus transforme seu RNA em DNA.

Outros dificultam a integração do material genético viral às células.

Também existem medicamentos que interferem na entrada, na montagem ou na maturação das novas partículas virais.

Ao combinar medicamentos com diferentes formas de ação, o tratamento consegue interromper a reprodução do HIV de maneira muito eficiente.

O tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível após o diagnóstico, de acordo com a avaliação da equipe de saúde.

Quando a pessoa mantém o tratamento:

  • a carga viral diminui;
  • o sistema imunológico se recupera;
  • as células CD4 podem aumentar;
  • o risco de adoecimento é reduzido;
  • a progressão para a aids pode ser evitada;
  • a expectativa de vida pode se aproximar da população geral;
  • a transmissão sexual deixa de acontecer quando a carga viral permanece indetectável.

A orientação atual é oferecer tratamento a todas as pessoas diagnosticadas, independentemente da quantidade de células CD4. (CDC)

O tratamento elimina completamente o HIV?

Atualmente, o tratamento disponível não elimina todo o HIV do organismo.

Isso acontece porque parte do vírus permanece escondida em algumas células e tecidos, formando os chamados reservatórios virais.

Enquanto a pessoa utiliza corretamente os medicamentos, a reprodução do vírus fica controlada.

Quando o tratamento é interrompido, o HIV que permaneceu nesses reservatórios pode voltar a se reproduzir.

Por isso, a terapia deve ser mantida conforme a orientação da equipe de saúde.

Existem pesquisas sobre cura, remissão, vacinas terapêuticas, anticorpos amplamente neutralizantes, edição genética e outras estratégias. Porém, essas alternativas ainda não substituem o tratamento antirretroviral utilizado atualmente pela população.

Como podemos prevenir o HIV?

A prevenção do HIV não depende de uma única estratégia.

Hoje trabalhamos com a ideia de prevenção combinada, que reúne diferentes ferramentas de acordo com a realidade de cada pessoa.

Entre essas ferramentas estão:

  • uso de preservativos internos ou externos;
  • testagem regular;
  • PrEP, a profilaxia pré-exposição;
  • PEP, a profilaxia pós-exposição;
  • tratamento das pessoas vivendo com HIV;
  • manutenção da carga viral indetectável;
  • não compartilhamento de agulhas e seringas;
  • uso de materiais esterilizados;
  • acompanhamento durante a gestação;
  • prevenção da transmissão vertical;
  • diagnóstico e tratamento de outras infecções sexualmente transmissíveis;
  • acesso à informação sem julgamento.

A prevenção funciona melhor quando a pessoa consegue escolher estratégias possíveis para sua vida, sem medo, vergonha ou moralismo.

O que é PrEP?

PrEP significa profilaxia pré-exposição ao HIV.

É uma estratégia em que uma pessoa que não vive com HIV utiliza medicamentos para reduzir significativamente a possibilidade de adquirir o vírus.

Ela precisa ser utilizada de acordo com orientação profissional.

A PrEP não é tratamento para HIV. É uma forma de prevenção.

O que é PEP?

PEP significa profilaxia pós-exposição ao HIV.

É uma medida de emergência utilizada depois de uma possível exposição.

O tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível, preferencialmente nas primeiras horas e no máximo dentro do período estabelecido pelos protocolos de saúde.

A PEP é utilizada durante 28 dias.

Ela pode ser indicada, por exemplo, após uma relação sexual com possibilidade de exposição, compartilhamento de materiais com sangue ou violência sexual.

Uma pessoa vivendo com HIV pode ter uma vida normal?

Sim.

Uma pessoa vivendo com HIV pode:

  • trabalhar;
  • estudar;
  • viajar;
  • namorar;
  • casar;
  • ter relações;
  • praticar esportes;
  • ter filhos sem HIV;
  • envelhecer;
  • realizar projetos;
  • construir uma família;
  • ter qualidade de vida.

O diagnóstico exige acompanhamento e tratamento, mas não apaga os sonhos, a sexualidade, a identidade ou os projetos de uma pessoa.

Muitas vezes, o maior sofrimento não é provocado pelo vírus controlado, mas pelo preconceito, pelo medo da rejeição e pela desinformação.

Por isso, cuidar do HIV também significa combater o estigma.

O que precisamos guardar desta matéria?

HIV é o vírus da imunodeficiência humana.

Ele ataca principalmente as células CD4, que ajudam a organizar as defesas do organismo.

HIV e aids não são a mesma coisa.

A aids é o estágio mais avançado de uma infecção pelo HIV não diagnosticada ou não tratada adequadamente.

O HIV surgiu após vírus semelhantes, encontrados em algumas espécies de primatas africanos, atravessarem a barreira entre espécies.

A passagem mais provável ocorreu pelo contato com sangue durante a caça ou o manuseio de animais, e não por relações sexuais entre humanos e animais.

A principal linhagem do HIV provavelmente começou a circular entre seres humanos nas primeiras décadas do século XX.

A amostra humana confirmada mais antiga é de 1959, coletada em Kinshasa, mas isso não significa que a infecção tenha começado naquele ano.

Os primeiros casos de aids reconhecidos oficialmente foram relatados em 1981.

Hoje existe tratamento seguro e altamente eficaz.

Uma pessoa que inicia o tratamento e mantém a carga viral indetectável pode viver com saúde e não transmite o HIV por relações sexuais.

HIV tem tratamento.

Indetectável é igual a intransmissível.

Informação também é prevenção.

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