Você percebeu uma verruga na região genital, no ânus ou perto deles e imediatamente pensou: “Será que é HPV?”
Pode ser. Mas também pode não ser.
O HPV, sigla para papilomavírus humano, é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns. Existem mais de 200 tipos de HPV e eles não se comportam todos da mesma maneira.
Alguns podem provocar verrugas. Outros podem causar alterações nas células que, quando persistem por muito tempo, aumentam o risco de alguns tipos de câncer. E muitas pessoas têm contato com o HPV sem nunca perceber.
Toda verruga é HPV?
Não.
Existem diferentes causas para lesões e alterações na pele da região genital. Por isso, encontrar uma verruga não é suficiente para concluir sozinho que você tem HPV.
Quando o HPV provoca verrugas anogenitais, elas podem aparecer isoladas ou em grupos, ser pequenas ou maiores, achatadas ou elevadas. Algumas apresentam aspecto semelhante a uma pequena “couve-flor”.
Elas podem surgir no pênis, vulva, vagina, região pubiana, ao redor ou dentro do ânus e em outras áreas.
O diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde.
E vale lembrar o contrário:
Você pode ter HPV sem ter nenhuma verruga.
Na maioria das pessoas, a infecção não apresenta sintomas.
HPV é só uma IST que causa verrugas?
Não.
Esse é um dos pontos que mais geram confusão.
Existem tipos de HPV considerados de baixo risco oncogênico, frequentemente relacionados às verrugas genitais, e existem tipos de alto risco oncogênico, associados ao desenvolvimento de alguns cânceres.
Os tipos que normalmente provocam verrugas genitais não são os mesmos responsáveis pela maior parte dos cânceres relacionados ao HPV.
O HPV de alto risco pode estar relacionado a cânceres como:
- colo do útero;
- ânus;
- pênis;
- vulva e vagina;
- boca e garganta.
Isso também não significa que ter HPV significa ter ou desenvolver câncer.
Na maioria das infecções, o próprio organismo consegue controlar o vírus. O problema está principalmente na persistência de determinados tipos de HPV de alto risco ao longo do tempo.
Como se pega HPV?
O HPV é transmitido principalmente pelo contato direto entre pele e mucosas durante as relações.
E aqui existe outra informação importante:
não precisa necessariamente haver penetração para ocorrer transmissão.
O contato genital-genital, oral-genital e até manual-genital pode permitir a transmissão.
Por isso, o preservativo reduz o risco, mas não consegue eliminar completamente a possibilidade de transmissão do HPV, porque existem áreas da pele que permanecem descobertas.
Apareceu uma verruga anos depois. Significa que houve uma transmissão recente?
Não necessariamente.
O HPV pode permanecer no organismo durante meses ou anos sem apresentar nenhum sinal.
Isso significa que uma pessoa pode desenvolver uma lesão muito tempo depois do contato com o vírus.
Portanto, descobrir HPV em um relacionamento não permite determinar quando ocorreu a infecção nem quem transmitiu para quem.
O aparecimento de uma verruga hoje não é prova de uma relação recente fora do relacionamento.
HPV tem cura?
Essa pergunta precisa ser dividida em duas coisas.
Existe tratamento para as lesões causadas pelo HPV.
As verrugas podem ser tratadas de diferentes maneiras, dependendo do tamanho, quantidade e localização. Podem ser utilizados medicamentos locais ou procedimentos como cauterização, congelamento e outras formas de remoção.
Mas retirar uma verruga não significa necessariamente que o vírus desapareceu imediatamente do organismo.
Além disso, as verrugas podem reaparecer depois do tratamento.
Na maioria das pessoas, o sistema imunológico consegue controlar a infecção espontaneamente ao longo do tempo.
Arrancar ou queimar uma verruga em casa resolve?
Não faça isso.
Uma lesão genital precisa primeiro ser identificada corretamente. Tentar cortar, furar, queimar ou utilizar produtos para verrugas comuns por conta própria pode provocar queimaduras, ferimentos e infecções.
Além disso, você pode estar tratando como HPV uma lesão que possui outra causa.
Percebeu uma alteração? Procure avaliação profissional.
HPV é mais preocupante para quem vive com HIV?
Pessoas vivendo com HIV merecem atenção especial ao HPV.
Alterações na imunidade podem favorecer a persistência do vírus e determinadas lesões relacionadas ao HPV. Por isso, acompanhamento, vacinação quando indicada e rastreamento adequado são especialmente importantes nessa população.
Isso não significa que uma pessoa vivendo com HIV desenvolverá câncer por causa do HPV. Significa que o acompanhamento precisa fazer parte do cuidado em saúde.
Existe vacina contra HPV?
Sim. E essa é uma das principais ferramentas de prevenção.
A vacinação protege contra tipos importantes do HPV relacionados a cânceres e verrugas.
No SUS, existem grupos e faixas etárias específicos contemplados pela vacinação. Pessoas vivendo com HIV também estão entre os grupos com indicação ampliada de vacinação, conforme os critérios do Ministério da Saúde.
Mesmo quem já teve contato com um tipo de HPV pode conversar com um profissional sobre vacinação, porque ter tido um tipo do vírus não significa necessariamente ter tido contato com todos os tipos contemplados pela vacina.
O preservativo evita HPV?
Ele reduz o risco, mas não protege 100%.
Isso acontece porque o HPV pode estar presente em partes da região genital que não ficam cobertas pelo preservativo.
Ainda assim, o preservativo continua sendo uma ferramenta importante de prevenção das ISTs e deve fazer parte da prevenção combinada.
Então, encontrei uma verruga. O que faço?
Primeiro: não entre em pânico.
Segundo: não tente diagnosticar a lesão apenas comparando fotografias na internet.
Uma verruga pode ser HPV, mas existem outras possibilidades. Procure um profissional de saúde para avaliar a lesão e indicar, quando necessário, exames ou tratamento.
E, se for HPV, isso também não significa câncer.
HPV é extremamente comum. Muitas pessoas terão contato com o vírus durante a vida e nem sequer saberão.
Informação, vacinação, acompanhamento e rastreamento são muito mais úteis do que medo.
Fontes
Ministério da Saúde — HPV: sinais, sintomas, transmissão, prevenção e tratamento.
Instituto Nacional de Câncer (INCA) — HPV e prevenção dos cânceres associados ao vírus.
Centers for Disease Control and Prevention (CDC) — Genital HPV Infection.

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