Luta contra HIV/AIDS: você sabe a diferença entre PrEP, PEP e TARV?

A luta não é contra as pessoas que vivem com HIV ou AIDS. A luta é contra o HIV, contra a desinformação e contra o preconceito.

Hoje, a ciência oferece medicamentos que ajudam a prevenir a infecção pelo HIV e tratamentos que permitem às pessoas que vivem com o vírus ter saúde e qualidade de vida.

Mas você sabe qual é a diferença entre PrEP, PEP e TARV? Apesar de os três envolverem medicamentos antirretrovirais, cada um tem uma função diferente.

Vamos entender de maneira simples!

PrEP: proteção antes de uma possível exposição ao HIV

PrEP significa Profilaxia Pré-Exposição. O nome pode parecer complicado, mas a ideia é simples: são medicamentos utilizados para prevenir a infecção pelo HIV antes de uma possível exposição ao vírus.

A PrEP é indicada para pessoas que não vivem com HIV e desejam ampliar sua proteção.

Existem diferentes formas de utilizar a PrEP, incluindo o uso diário e, para determinadas pessoas e situações, o uso sob demanda, conforme orientação profissional.

Quando utilizada corretamente, de acordo com a modalidade indicada, a PrEP é altamente eficaz na prevenção do HIV.

No Brasil, ela é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Importante: utilizar PrEP não significa que uma pessoa tenha HIV. Significa que ela está utilizando uma estratégia de prevenção.

PEP: proteção depois de uma possível exposição ao HIV

PEP significa Profilaxia Pós-Exposição. É uma medida de prevenção de urgência para pessoas que passaram por uma situação em que pode ter ocorrido exposição ao HIV.

Isso pode acontecer, por exemplo, quando um preservativo se rompe, em determinadas situações de violência sexual ou em acidentes ocupacionais envolvendo material biológico de risco.

A PEP utiliza medicamentos antirretrovirais para reduzir o risco de infecção após essa exposição.

O tempo é muito importante: a PEP deve ser iniciada o mais rápido possível, preferencialmente nas primeiras horas e, no máximo, até 72 horas após a situação de risco.

O tratamento dura 28 dias e precisa ser acompanhado por profissionais de saúde.

Se você passou por uma situação de possível exposição ao HIV, procure um serviço de saúde imediatamente. Não espere aparecerem sintomas.

A PEP também é oferecida gratuitamente pelo SUS.

Importante: precisar de PEP não significa que uma pessoa tenha adquirido HIV. Significa que ela está buscando uma medida de prevenção após uma possível exposição.

TARV: tratamento para quem vive com HIV

TARV significa Terapia Antirretroviral. Diferentemente da PrEP e da PEP, ela é utilizada no tratamento de pessoas que vivem com HIV.

Os medicamentos impedem que o vírus se multiplique de maneira descontrolada no organismo. Assim, ajudam a proteger o sistema imunológico, que é responsável pela defesa do corpo contra doenças.

Com o tratamento adequado, uma pessoa pode manter o HIV controlado, ter qualidade de vida e fazer planos para o futuro.

A TARV é recomendada para todas as pessoas diagnosticadas com HIV, com início o mais cedo possível, conforme orientação da equipe de saúde.

O tratamento deve ser mantido conforme a prescrição médica, mesmo quando a pessoa está se sentindo bem.

E aqui temos uma informação muito importante: indetectável = intransmissível (I=I).

Quando uma pessoa que vive com HIV faz o tratamento e mantém a carga viral indetectável de forma sustentada, ela não transmite o HIV por via sexual.

Isso significa que o HIV pode estar controlado a ponto de não ser transmitido sexualmente nessas condições. Não significa que o vírus tenha desaparecido do organismo ou que a pessoa esteja curada.

Importante: uma pessoa que vive com HIV e faz o tratamento não deve ser vista como uma ameaça. Com a carga viral indetectável mantida, ela não transmite o vírus por via sexual.

Afinal, qual é a diferença entre PrEP, PEP e TARV?

PrEPPEPTARV
Previne a infecção antes de uma possível exposição.É utilizada depois de uma possível exposição.Trata a infecção pelo HIV.
Destinada a pessoas que não vivem com HIV.Indicada após uma situação de possível exposição.Indicada para pessoas que vivem com HIV.
Utilizada conforme a modalidade prescrita.Deve começar em até 72 horas e dura 28 dias.É um tratamento contínuo.
Disponível gratuitamente no SUS.Disponível gratuitamente no SUS.Disponível gratuitamente no SUS.

Os medicamentos, as doses e a forma de utilização podem ser diferentes em cada estratégia. Por isso, é importante não tomar medicamentos por conta própria nem utilizar o tratamento de outra pessoa.

HIV e AIDS são a mesma coisa?

Não. E entender essa diferença também ajuda a combater o preconceito.

O HIV é o vírus que ataca o sistema imunológico. A AIDS é uma condição que pode surgir quando a infecção pelo HIV provoca um comprometimento importante das defesas do organismo.

Mas viver com HIV não significa ter AIDS.

Com diagnóstico, tratamento e acompanhamento adequados, uma pessoa que vive com HIV pode evitar a progressão da infecção para a AIDS. Mesmo quem recebe um diagnóstico de AIDS pode se beneficiar do tratamento e apresentar melhora importante da saúde.

Por isso, não devemos usar HIV e AIDS como se fossem sinônimos nem presumir que toda pessoa que vive com HIV esteja doente ou com a imunidade comprometida.

O que precisamos combater, afinal?

Precisamos combater o HIV com prevenção, testagem, tratamento, informação e acesso à saúde.

Precisamos combater a desinformação, que espalha ideias erradas sobre a transmissão do vírus.

E precisamos combater o preconceito, porque ninguém deveria sentir vergonha, perder oportunidades ou ser rejeitado por viver com HIV.

A PrEP, a PEP e a TARV são ferramentas diferentes, mas todas fazem parte dos avanços da ciência na prevenção e no cuidado relacionado ao HIV.

O diagnóstico não define o caráter de ninguém. O tratamento não diminui ninguém. E buscar prevenção é uma atitude de cuidado.

A luta é contra o HIV e a AIDS, não contra as pessoas.

Referências

  1. Ministério da Saúde — Brasil. Informações e protocolos sobre prevenção e tratamento do HIV. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hiv-aids
  2. Ministério da Saúde — Brasil. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), incluindo PrEP, PEP e tratamento do HIV. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt
  3. Organização Mundial da Saúde (OMS). Guidelines for HIV post-exposure prophylaxis. 2024. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240095137
  4. Rodger, A. J. et al. Risk of HIV transmission through condomless sex in serodifferent gay couples with the HIV-positive partner taking suppressive antiretroviral therapy (PARTNER2). The Lancet, 2019; 393(10189): 2428–2438. DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(19)30418-0