A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. Ela pode afetar qualquer pessoa sexualmente ativa e, quando não é diagnosticada e tratada, pode causar complicações importantes ao longo dos anos.
A boa notícia é que a sífilis tem cura. O tratamento é eficaz, está disponível gratuitamente pelo SUS e, quando feito corretamente, interrompe a transmissão e evita complicações.
Nos últimos anos, os casos de sífilis aumentaram em diversos países, incluindo o Brasil. Esse crescimento reforça a importância da informação, da testagem e do acesso ao tratamento.
O que causa a sífilis?
A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum.
Depois que ela entra no organismo, pode permanecer silenciosa por semanas, meses ou até anos. Muitas pessoas não percebem que estão com a infecção porque os sintomas podem desaparecer espontaneamente, mesmo sem tratamento.
É justamente por isso que a testagem é tão importante.
Como a sífilis é transmitida?
A transmissão acontece principalmente por:
- Relações sexuais vaginais, anais ou orais sem preservativo com uma pessoa que esteja com a infecção.
- Contato direto com as feridas da sífilis, que podem aparecer na boca, nos órgãos genitais ou na região anal.
- Durante a gestação, quando a pessoa grávida transmite a infecção para o bebê. Isso é chamado de transmissão vertical.
A sífilis não é transmitida por abraço, aperto de mão, beijo social, copos, talheres, piscinas, vasos sanitários ou assentos.
Quais são os sintomas?
A sífilis costuma evoluir em diferentes fases.
Sífilis primária
O primeiro sinal costuma ser uma pequena ferida chamada cancro duro.
Ela geralmente:
- não dói;
- tem bordas endurecidas;
- aparece onde ocorreu o contato com a bactéria;
- desaparece sozinha após algumas semanas.
O desaparecimento da ferida não significa que a infecção acabou.
Sífilis secundária
Sem tratamento, semanas ou meses depois podem surgir:
- manchas pelo corpo, inclusive nas palmas das mãos e plantas dos pés;
- febre;
- aumento dos gânglios;
- dor de garganta;
- mal-estar;
- queda de cabelo em pequenas áreas.
Esses sintomas também podem desaparecer espontaneamente.
Fase latente
Depois disso, muitas pessoas entram em uma fase sem sintomas.
Essa fase pode durar anos.
Mesmo sem apresentar qualquer sinal, a bactéria continua no organismo.
Sífilis terciária
Quando permanece sem tratamento por muitos anos, a infecção pode atingir diferentes órgãos.
As complicações podem envolver:
- cérebro;
- nervos;
- coração;
- vasos sanguíneos;
- olhos;
- ossos.
Hoje, essas formas são menos frequentes justamente porque existem testes rápidos e tratamento eficaz.
Como saber se tenho sífilis?
A única forma de confirmar é realizando exames.
Os principais são:
- teste rápido;
- VDRL;
- testes treponêmicos.
O teste rápido leva cerca de 20 minutos e está disponível gratuitamente em diversas unidades do SUS.
Quem teve uma relação sexual com possibilidade de exposição ou apresenta sintomas deve procurar um serviço de saúde.
A sífilis tem cura?
Sim.
O tratamento é feito, na maioria dos casos, com penicilina benzatina, aplicada por injeção.
O número de doses depende da fase da infecção.
Após o tratamento, é necessário fazer o acompanhamento solicitado pelo profissional de saúde para confirmar que a infecção foi tratada adequadamente.
O parceiro também precisa fazer tratamento?
Sim.
Quando uma pessoa recebe diagnóstico de sífilis, seus parceiros também devem ser avaliados e, quando indicado, tratados.
Caso apenas uma pessoa faça o tratamento, existe o risco de ocorrer uma nova transmissão entre o casal.
Quem vive com HIV pode ter sífilis?
Sim.
Pessoas vivendo com HIV podem adquirir sífilis da mesma forma que qualquer outra pessoa sexualmente ativa.
Quando a pessoa está em tratamento para o HIV e faz acompanhamento regular, a sífilis costuma ser identificada mais cedo durante os exames de rotina, permitindo tratamento rápido e reduzindo o risco de complicações.
Ter HIV não impede a cura da sífilis.
DoxyPEP: uma nova estratégia para reduzir o risco de sífilis
Nos últimos anos, uma estratégia chamada DoxyPEP passou a receber grande atenção da comunidade científica.
Ela consiste em tomar 200 mg de doxiciclina até 72 horas após uma relação sexual com possibilidade de exposição. Diversos estudos demonstraram redução importante dos casos de sífilis e clamídia entre pessoas com maior risco de adquirir ISTs bacterianas.
Durante a 13ª Conferência Internacional da IAS sobre Ciência do HIV (IAS 2025), novos resultados reforçaram que a DoxyPEP pode ser uma ferramenta importante na prevenção combinada das ISTs, principalmente quando associada à testagem frequente, ao uso de preservativos e ao acompanhamento em serviços de saúde.
No entanto, ela não é indicada para todas as pessoas.
As recomendações atuais priorizam seu uso para alguns grupos específicos, como homens que fazem sexo com homens (HSH) e mulheres trans com histórico recente de ISTs bacterianas. A decisão deve sempre ser tomada junto com um profissional de saúde.
É importante lembrar que a DoxyPEP:
- não previne o HIV (para isso existe a PrEP);
- não substitui o preservativo;
- não protege contra todas as ISTs;
- deve ser utilizada apenas com orientação médica, para evitar o uso inadequado de antibióticos e reduzir o risco de resistência bacteriana.
Como prevenir a sífilis?
As principais formas de prevenção são:
- usar preservativos nas relações sexuais;
- realizar testagem periódica quando houver vida sexual ativa;
- procurar atendimento diante de qualquer ferida, mancha ou sintoma diferente;
- realizar o pré-natal completo durante a gestação;
- garantir que parceiros também sejam avaliados quando houver diagnóstico;
- conversar com um profissional de saúde sobre a DoxyPEP, quando ela puder ser indicada para o seu caso.
Sífilis e gravidez
A sífilis pode ser transmitida para o bebê durante a gestação.
Por isso, o pré-natal inclui testes em diferentes momentos da gravidez.
Quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento acontece no tempo adequado, o risco de transmissão para o bebê diminui de forma significativa.
Mitos sobre a sífilis
“Se a ferida sumiu, estou curado.”
Não. A bactéria pode continuar no organismo mesmo depois que a ferida desaparece.
“Só quem tem muitos parceiros pega sífilis.”
Não. Basta uma única relação com uma pessoa infectada para ocorrer a transmissão.
“Sífilis não existe mais.”
Existe. Os casos vêm aumentando em diversos países, inclusive no Brasil.
“Sífilis sempre causa sintomas.”
Não. Muitas pessoas convivem com a infecção durante anos sem perceber.
O mais importante
A sífilis é uma IST comum, silenciosa e totalmente tratável quando diagnosticada precocemente.
Hoje, além dos preservativos, da testagem e do tratamento, novas estratégias como a DoxyPEP mostram que a prevenção das ISTs está evoluindo. O objetivo não é substituir métodos já conhecidos, mas ampliar as opções para reduzir novas infecções entre as pessoas que mais podem se beneficiar.
Quanto mais cedo a sífilis é identificada, mais simples é o tratamento e menores são as chances de complicações.
Cuidar da saúde sexual também significa fazer exames regularmente, conversar abertamente com os profissionais de saúde e buscar informações baseadas em evidências científicas.
Referências
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).
- Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Sífilis.
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Syphilis Fact Sheet.
- Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines.
- World Health Organization. Guidelines on Doxycycline Post-Exposure Prophylaxis (DoxyPEP).
- International AIDS Society (IAS 2025). Estudos apresentados sobre DoxyPEP e prevenção combinada das ISTs.

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