Posso pedir para algum amigo retirar minha medicação de HIV?

Sim. Uma pessoa de confiança pode retirar sua medicação, desde que esteja autorizada. Dividir essa tarefa pode ajudar a manter o tratamento em dia e tornar a rotina mais leve.

Você olha o frasco e percebe que os comprimidos estão acabando. Abre a agenda, tenta encontrar um horário e começa a fazer contas: sair do trabalho, pegar transporte, chegar à unidade antes de fechar e ainda dar conta das outras responsabilidades.

Para algumas pessoas, a dificuldade está nesse caminho. Para outras, existe também o medo de encontrar alguém conhecido, de ter o diagnóstico descoberto ou de enfrentar sentimentos que ainda machucam.

Nessas horas, pode surgir uma pergunta: “Será que alguém pode buscar a medicação por mim?”

Sim. Você pode contar com um amigo, um parente, seu parceiro ou outra pessoa próxima, desde que a retirada seja devidamente autorizada. O Ministério da Saúde prevê a retirada de antirretrovirais por terceiros e o cadastro de pessoas autorizadas no SICLOM, sistema utilizado na distribuição desses medicamentos. [1]

Buscar a medicação nem sempre é uma tarefa simples

Quem vê de fora pode pensar: “É só ir até a farmácia”. Mas essa frase ignora o que existe entre a casa de uma pessoa e o balcão do serviço de saúde.

Pode faltar dinheiro para o transporte. O horário de atendimento pode coincidir com o expediente. Pode haver uma dificuldade de locomoção, uma viagem ou alguém que depende dos seus cuidados.

Também pode ser difícil entrar naquele lugar e lembrar do diagnóstico. O medo do julgamento e a preocupação com o sigilo podem tornar esse momento desconfortável.

Ter dificuldade para buscar a medicação não deve ser motivo de bronca. É uma situação que precisa ser compreendida para que se encontre uma solução possível.

Como autorizar alguém a retirar por você?

O primeiro passo é conversar com a Unidade Dispensadora de Medicamentos, a farmácia onde você costuma retirar seus antirretrovirais.

O Informe nº 31/2021 do Ministério da Saúde prevê a representação por procuração, inclusive escrita à mão, desde que contenha todas as informações do modelo oficial. O representante deve apresentar documento oficial com foto e CPF, ou documento de identidade que já contenha esse número. Para quem faz tratamento, também é possível autorizar pessoalmente a inclusão de pessoas no cadastro do SICLOM para retiradas posteriores. [1]

E um detalhe importante: o formulário de cadastro disponibilizado pelo Ministério da Saúde, na versão de novembro de 2025, permite indicar até três pessoas autorizadas. Portanto, a possibilidade não se limita a duas pessoas. [2]

Antes de alguém ir até a unidade, confirme:

  • Como cadastrar ou atualizar as pessoas autorizadas.
  • Qual autorização será necessária no seu caso.
  • Quais documentos e formulários deverão ser apresentados.
  • Se a prescrição está válida e quando a retirada pode ser feita.

Essa conversa evita uma viagem perdida e ajuda a organizar a continuidade do tratamento.

Rede de apoio também é ajuda prática

Apoio pode ser uma conversa, uma companhia para a consulta ou uma mensagem perguntando como você está. Também pode ser alguém dizendo: “Nesta semana eu consigo buscar sua medicação”.

Não precisa ser um familiar. Pode ser um amigo, uma irmã, seu companheiro ou alguém em quem você confia e com quem se sente seguro.

Escolha uma pessoa que respeite sua privacidade e cumpra o combinado. Conversem sobre a data da retirada, a entrega dos medicamentos e a necessidade de repassar as orientações recebidas na farmácia.

Você continua participando das decisões sobre sua saúde. A ajuda entra para tornar esse cuidado possível no cotidiano.

Você decide com quem compartilhar

Construir uma rede de apoio não significa contar seu diagnóstico para todo mundo.

Autorizar alguém a buscar seus antirretrovirais envolve compartilhar informações sensíveis com essa pessoa. Por isso, essa escolha merece confiança e respeito aos seus limites.

Se você ainda não tem alguém com quem se sinta seguro, converse reservadamente com a equipe do serviço. Explique o que dificulta sua retirada e peça ajuda para pensar em alternativas.

Você não precisa se expor a uma pessoa em quem não confia para conseguir cuidar de si.

Não espere o último comprimido para pedir ajuda

Sempre que possível, confira quanto medicamento ainda tem e organize a próxima retirada com antecedência.

Se perceber que não conseguirá buscar a tempo, entre em contato com a unidade. Se os comprimidos já acabaram ou houve interrupção, procure a equipe para receber orientação. Não altere as doses por conta própria para tentar fazer o frasco durar mais.

Manter o uso dos antirretrovirais conforme a prescrição é fundamental para o controle do HIV e a proteção da saúde. Ter alguém autorizado a retirar pode ajudar nessa organização, mas não substitui suas consultas e seu acompanhamento. [4]

Quando o obstáculo também é emocional, a terapia pode ajudar

Às vezes, mesmo com tempo e transporte, a pessoa continua adiando a retirada. Pode existir vergonha, ansiedade, medo de ser reconhecida ou sofrimento relacionado ao diagnóstico.

A terapia pode oferecer um espaço para falar sobre isso, compreender esses sentimentos e construir formas de lidar com o cuidado. O Ministério da Saúde reconhece a importância do apoio psicológico e das trocas em grupo no acompanhamento de quem vive com HIV. [3]

A proposta não é cobrar que você “aceite logo”. É acolher o que está difícil e ajudar você a encontrar caminhos possíveis.

E, quando o problema é dinheiro, transporte ou horário, ele também precisa de respostas práticas. A equipe de saúde e o serviço social podem ajudar a avaliar essas necessidades.

No Posithividades, você pode conhecer a opção de terapia online e buscar um espaço de escuta para suas questões.

A comunidade pode aproximar você de quem entende

Conversar com outras pessoas que vivem com HIV pode abrir espaço para dúvidas que você nunca conseguiu dizer em voz alta.

“Também tenho receio de encontrar conhecidos.”

“Como você organiza sua retirada?”

“Como foi pedir ajuda para alguém?”

Grupos de apoio permitem compartilhar experiências e conhecer outras maneiras de lidar com o diagnóstico e o tratamento. [3]

A Comunidade Posithividades, no WhatsApp, é uma possibilidade de conexão com outras pessoas que vivem com HIV, para trocar vivências e construir vínculos. Você pode participar respeitando seu tempo e seus limites.

O aplicativo também pode fazer parte dessa rede

O Posithividades Pro é o aplicativo que reúne ferramentas para o controle da tomada de medicação, a organização das retiradas e das consultas, além da interação entre pessoas que vivem com HIV.

Ele pode fazer parte da sua rotina como um recurso de organização e um caminho para conhecer outras pessoas que compartilham experiências semelhantes.

Uma pessoa próxima pode ajudar na retirada. A terapia pode acolher o que está difícil. A comunidade pode oferecer troca. O aplicativo pode apoiar a organização e a conexão.

Você não precisa dar conta de tudo sozinho para cuidar bem de si. Pedir ajuda também é uma forma de cuidar da sua saúde.

Conheça a terapia online, a comunidade no WhatsApp e o aplicativo em posithividades.com.br.

Referências

  1. Ministério da Saúde. SICLOM. Informe nº 31/2021: Dispensa de Antirretrovirais para terceiros. 29 de setembro de 2021. Consulte o informe pelo número e pela data.
  2. Ministério da Saúde. SICLOM. Formulário de Cadastro de Usuário SUS. Versão novembro de 2025. Campos “Pessoas autorizadas a retirar o medicamento” e orientações de preenchimento, que estabelecem o máximo de três nomes.
  3. Ministério da Saúde. Manual de adesão ao tratamento para pessoas vivendo com HIV e aids. Brasília, 2008. Especialmente páginas 15 a 19.
  4. Ministério da Saúde. Tratamento. Seção “Adesão ao tratamento”.