Quem é você na fila do pão?

Durante muito tempo, as pessoas acreditaram que existiam apenas duas possibilidades: hétero ou gay. Depois, a bissexualidade ganhou maior reconhecimento. Mas será que essas três palavras dão conta de explicar toda a diversidade da sexualidade humana?

Em 1948, o pesquisador Alfred Kinsey propôs uma escala de 0 a 6 para mostrar que a atração sexual não acontece apenas em extremos. Em vez de uma divisão entre “hétero” e “gay”, ele sugeriu um continuum.

0 – Exclusivamente heterossexual

Atração apenas pelo sexo oposto.

1 – Hetero flexível

Predominantemente heterossexual, mas já sentiu ou sente atração ocasional pelo mesmo gênero.

2 – Hetero ampliado

Continua se identificando como heterossexual, porém reconhece uma atração significativa pelo mesmo gênero.

3 – Bissexual

Atração relativamente equilibrada por homens e mulheres.

4 – Homo ampliado

Predominantemente homossexual, mas ainda sente atração significativa pelo outro gênero.

5 – Homo flexível

Quase exclusivamente homossexual, com atrações ocasionais pelo outro gênero.

6 – Exclusivamente homossexual

Atração apenas pelo mesmo gênero.

Esses nomes (“hetero flexível”, “hetero ampliado” e “homo flexível”) não fazem parte da escala original de Kinsey. São formas simples de explicar posições intermediárias que muitas pessoas vivenciam, mas nem sempre conseguem nomear.

E onde entram Freud e Foucault?

Freud já dizia que a sexualidade humana é muito mais complexa do que rótulos fixos. Para ele, desejos podem existir mesmo quando nunca são colocados em prática, e a vida psíquica não cabe em categorias rígidas.

Décadas depois, Michel Foucault foi além. Em vez de perguntar “qual é a verdadeira sexualidade de alguém?”, ele mostrou como a própria sociedade cria identidades e rótulos para organizar os desejos. Em outras palavras, palavras como “hétero”, “gay” e “bissexual” são úteis, mas não conseguem descrever todas as experiências humanas.

Por isso, existem pessoas que:
• se identificam como heterossexuais, mas ocasionalmente sentem atração por homens;
• se identificam como gays, mas já sentiram atração por mulheres;
• sentem atração por diferentes pessoas sem desejar um relacionamento;
• mudam a forma como vivem sua sexualidade ao longo da vida.

No fim das contas, a sexualidade é muito mais parecida com um espectro do que com uma caixinha.

E você? Em qual ponto dessa escala você acredita que está hoje?