Ansiedade faz você comer mais ou perder a fome? Entenda a relação entre HIV, peso e saúde mental

Tem gente que fica ansiosa e procura comida o tempo todo. Tem gente que passa o dia sem conseguir comer. Quando o peso muda, vale perguntar não apenas “como faço para emagrecer?”, mas também “o que está acontecendo comigo?”.

Você já abriu a geladeira sem estar com fome, procurando alguma coisa que nem sabia o que era? Ou ficou tão preocupado que a comida perdeu completamente a graça?

A ansiedade pode afetar o apetite das duas formas. Algumas pessoas comem mais em busca de conforto; outras sentem o estômago fechar. E a mesma pessoa pode viver essas duas experiências em momentos diferentes. Isso não define um “tipo de ansiedade” nem permite fazer um diagnóstico. Mostra que as emoções também podem aparecer no corpo.

Às vezes, a ansiedade chega primeiro ao corpo

Ansiedade não é apenas pensar demais. Ela pode aparecer como insônia, coração acelerado, enjoo, tensão, dificuldade para se concentrar e mudanças na fome.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 470 milhões de pessoas viviam com um transtorno de ansiedade em 2023. Esse número se refere aos transtornos de ansiedade, não à ansiedade ocasional que qualquer pessoa pode sentir. A organização estima ainda que apenas cerca de uma em cada quatro pessoas com esses transtornos recebe tratamento.

Quando os sintomas são frequentes, causam sofrimento ou começam a atrapalhar a rotina, merecem atenção. E a alimentação pode ser uma pista de que algo não vai bem.

“Estou com fome ou tentando aliviar o que sinto?”

Para algumas pessoas, comer traz alívio por alguns minutos. A comida pode funcionar como conforto depois de um dia difícil, de uma conversa que machucou ou de uma preocupação que não sai da cabeça.

Depois, muitas vezes vem a culpa: “Eu não tenho controle”, “estraguei tudo”, “amanhã preciso compensar”.

Para quem perde o apetite, a experiência também pode ser angustiante. A pessoa sabe que precisa comer, mas sente enjoo, aperto no estômago ou simplesmente não consegue ter vontade.

Antes de se julgar, tente observar: o que aconteceu antes de a fome aumentar ou desaparecer? O que você estava sentindo naquele momento?

Não se trata de procurar uma explicação emocional para toda mudança na alimentação. Trata-se de perceber padrões e entender melhor suas necessidades.

Para quem vive com HIV, o peso pode trazer outras preocupações

Viver com HIV não significa viver ansioso. Mas o medo da rejeição, a preocupação com o sigilo e as experiências de preconceito podem gerar sofrimento emocional.

Há pessoas que seguem o tratamento, trabalham, estudam, se relacionam e, ao mesmo tempo, carregam perguntas que quase nunca conseguem dizer em voz alta: “Vão me aceitar?”, “Posso contar para essa pessoa?”, “Será que vão perceber algo no meu corpo?”.

O Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos aponta que pessoas vivendo com HIV têm maior chance de enfrentar problemas de humor e ansiedade. Isso não quer dizer que acontecerá com todas. Quer dizer que a saúde mental precisa fazer parte do cuidado.

A relação com o peso também pode ganhar outros significados. Se a pessoa emagrece, pode temer que os outros façam associações com o HIV. Se engorda, pode se perguntar se a causa é a medicação. Às vezes, antes de entender o que mudou, ela já está tentando se justificar.

Ganhar peso não é sempre “comer por ansiedade”

O peso não depende apenas da quantidade de comida. Sono, rotina, atividade física, outras condições de saúde e medicamentos também podem influenciá-lo.

Algumas pessoas ganham peso depois de iniciar o tratamento do HIV. Em estudos reunidos pelas diretrizes dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, aproximadamente 13% tiveram ganho superior a 10% do peso inicial no primeiro ano de tratamento. Esse dado descreve os grupos estudados. Não significa que isso acontecerá com todas as pessoas nem que todo ganho de peso é causado pelos antirretrovirais.

Por isso, se o peso mudou e isso preocupa você, converse com a equipe que acompanha sua saúde. Avaliar o que está acontecendo é mais útil do que tentar adivinhar a causa ou se culpar.

Não interrompa a medicação para o HIV por conta própria por causa do peso.

Emagrecer também merece atenção

Muitas vezes, o emagrecimento é tratado automaticamente como uma vitória. Mas perder peso sem querer, ficar sem apetite ou perceber uma mudança importante no corpo são motivos para procurar avaliação de saúde.

A pergunta não é apenas “quanto peso eu perdi?”. É também “por que isso está acontecendo e como estou me sentindo?”

O número na balança não conta, sozinho, a história de uma pessoa.

Cuidar do corpo sem brigar com ele

Quem vive com HIV pode sentir que seu corpo está sempre sendo observado. Se emagrece, surgem perguntas. Se engorda, surgem julgamentos. Se fala sobre o próprio peso, alguém reduz tudo à alimentação ou ao tratamento.

Mas você não precisa escolher entre cuidar da saúde física e cuidar da saúde mental. É possível conversar com profissionais sobre alimentação e peso enquanto também olha para a ansiedade, a autoestima e as experiências que têm sido difíceis de carregar.

A terapia pode ser um espaço para compreender o que a ansiedade desperta em você, como ela afeta sua relação com a comida e por que certas mudanças no corpo trazem tanto medo ou cobrança. Para quem vive com HIV, também pode ser um lugar para falar sobre diagnóstico, sigilo, rejeição e relacionamentos sem medo de julgamento.

Eu sou Lucian Ambrós, criador do Posithividades, psicanalista e especialista em sexologia. Atendo em terapia online pessoas que vivem com HIV e também o público geral.

Vem fazer terapia comigo. Você não precisa esperar tudo ficar pesado demais para começar a cuidar de si.

Agende pelo WhatsApp: 11 99803-0025.

Referências

Organização Mundial da Saúde. Anxiety disorders. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/anxiety-disorders

National Institute of Mental Health. HIV and Mental Health. https://www.nimh.nih.gov/health/topics/hiv-aids

HIV.gov. Mental Health. https://www.hiv.gov/hiv-basics/staying-in-hiv-care/other-related-health-issues/mental-health

National Institutes of Health. Weight Gain in People With Treated HIV. https://clinicalinfo.hiv.gov/en/guidelines/hiv-clinical-guidelines-adult-and-adolescent-arv/weight-gain-people-treated-hiv

The Association of Emotional Eating with Overweight/Obesity, Depression, Anxiety/Stress, and Dietary Patterns: A Review of the Current Clinical Evidence. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10005347/