Estudo científico destaca Posithividades e Rita von Hunty como referências de comunicação, educação e resistência social no Brasil

Pesquisa publicada em revista acadêmica nacional analisa iniciativas que transformam conhecimento científico em ferramentas de acolhimento, conscientização e mudança social

O trabalho desenvolvido pelo Posithividades, idealizado por Lucian Ambros, acaba de receber destaque no meio acadêmico brasileiro. O projeto foi escolhido como um dos dois estudos de caso centrais da pesquisa “Práxis folkcomunicacional: quando gênero e dissidência se tornam resistência”, publicada na Revista Internacional de Folkcomunicação (RIF), importante periódico científico da área da Comunicação.  

A pesquisa, conduzida pelo professor e pesquisador Guilherme Moreira Fernandes, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), teve como objetivo compreender como determinados comunicadores utilizam as plataformas digitais para promover educação popular, fortalecer grupos historicamente marginalizados e ampliar o acesso ao conhecimento científico. Para isso, foram selecionados dois exemplos considerados emblemáticos: o canal Tempero Drag, da comunicadora Rita von Hunty, e a página Posithividades, criada por Lucian Ambros.  

Segundo o estudo, ambos os projetos representam formas contemporâneas de resistência social por meio da comunicação. Embora atuem em temas diferentes, compartilham características semelhantes: utilizam linguagem acessível, dialogam com públicos frequentemente excluídos dos espaços tradicionais de informação e transformam conteúdos científicos em conhecimento compreensível para a população.  

No caso de Rita von Hunty, a pesquisa destaca sua capacidade de traduzir assuntos complexos relacionados à política, cultura, psicologia, história e direitos humanos em conteúdos didáticos e envolventes. O canal Tempero Drag foi apresentado como um exemplo de educação popular realizada através das redes digitais, aproximando o saber acadêmico do cotidiano das pessoas.  

Já o Posithividades foi reconhecido pelo trabalho desenvolvido na área do HIV, da saúde mental e do acolhimento. O artigo aponta que Lucian Ambros transformou sua própria trajetória vivendo com HIV em uma plataforma de apoio coletivo, oferecendo informação científica, suporte emocional e combate ao estigma que ainda cerca o diagnóstico.  

A pesquisa ressalta que a comunicação realizada pelo Posithividades vai além da simples transmissão de informações. O projeto promove um espaço onde pessoas recém-diagnosticadas podem encontrar identificação, esperança e orientação, contribuindo para reduzir o medo, a desinformação e o isolamento frequentemente associados ao HIV.  

Outro ponto destacado pelos pesquisadores é o uso do afeto como estratégia de comunicação. O estudo observa que os conteúdos produzidos pelo Posithividades unem evidências científicas, experiências pessoais e linguagem acessível para construir uma relação de confiança com o público, fortalecendo processos de aceitação e autoestima entre pessoas que vivem com HIV.  

A repercussão desse trabalho também foi analisada. Comentários deixados por seguidores mostram relatos de pessoas que encontraram apoio após o diagnóstico, compreenderam melhor o tratamento e conseguiram enfrentar seus medos por meio dos conteúdos compartilhados pela página.  

Nas conclusões do artigo, o pesquisador afirma que tanto Rita von Hunty quanto Lucian Ambros representam exemplos daquilo que denomina “práxis folkcomunicacional”: uma comunicação que une conhecimento, participação social, educação e resistência. Segundo o estudo, os dois projetos demonstram como grupos historicamente marginalizados podem utilizar as plataformas digitais para construir narrativas próprias, combater preconceitos e promover transformações sociais significativas.  

O reconhecimento acadêmico reforça a relevância do Posithividades como uma das iniciativas brasileiras mais importantes na produção de conteúdo sobre HIV, acolhimento e saúde mental, consolidando o trabalho desenvolvido por Lucian Ambros como uma referência de comunicação social baseada em informação, empatia e impacto coletivo.  

Referência

FERNANDES, Guilherme Moreira. Práxis folkcomunicacional: quando gênero e dissidência se tornam resistência. Revista Internacional de Folkcomunicação (RIF), Ponta Grossa, v. 23, n. 51, p. 58–77, jul./dez. 2025.  Leia o estudo aqui